04/11 a 11/12/2019

O CINEMA BRASILEIRO SOB PERSPECTIVA HISTÓRICA – OLHARES TRANSVERSAIS (INSCRIÇÕES ENCERRADAS)

A quarta edição do curso põe em foco aspectos de destaque da experiência brasileira, de modo espelhado, entre as telas e o país. A cada módulo, pesquisadores dedicados a temas específicos aprofundam essa relação, compondo um retrato nacional heterogêneo como a nossa formação. Sertão, Cidades, Trabalho, Religião, Intelectuais, Mulheres, Negros e Índios são as rotas desta exploração. A cada módulo, duas aulas , com recortes diversos sobre o tema.

OBSERVAÇÕES:
• Inscrições de 21 a 28 de outubro através do formulário
• Confirmação de inscrição até o dia 30 de outubro;
• Haverá certificação aos alunos que comparecerem a no mínimo 12 aulas;
• A ausência nas primeiras duas aulas acarretará em cancelamento da inscrição, que será aberta para LISTA DE ESPERA.

SERVIÇO:
O cinema brasileiro sob Perspectiva Histórica – Olhares transversais
INSCRIÇÕES ENCERRADAS
De 4 de novembro a 11 de dezembro de 2019 (16 encontros, 48 horas-aula)
Segundas, terças e quartas, às 19h, na Cinemateca Brasileira
Dúvidas: cursos@cinemateca.org.br
Realização: SAC – Sociedade Amigos da Cinemateca

CRONOGRAMA DE AULAS

O sertão na tela | 04 e 05/11

Prof. Maurício Cardoso

Espaço privilegiado de representação nacional, pela conjugação da pobreza extrema, estruturas de poder tradicional  e densidade cultural, o Sertão foi é um mote retomado em diversos momentos do cinema brasileiro, de modo sempre renovado.

Filmografia: O cangaceiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas secas, Os fuzis, Thodorico, imperador do Sertão, Central do Brasil, Árido Movie, Lisbela e o Prisioneiro, O céu de Suely, Eles voltam, Bacurau.

 

Qual o lugar dos intelectuais? | 11 e 12/11

Prof. Ismail Xavier
Prof. Leandro Saraiva

De personagens centrais do Cinema Novo, à perda do mandato de intervenção pública, a reinvenção dos intelectuais como personagens no cinema brasileiro é parte de uma transformação profunda da vida cultural nacional, nas últimas décadas, marcadas pelo fortalecimento da indústria cultural e pela especialização do trabalho intelectual.

Filmografia: O desafio, Terra em transe, Os inconfidentes, Cabra marcado para morrer,  A destruição de Bernardet, Martírio.

 

Índios: De objetos a sujeitos do olhar | 13/11 e 19/11

Prof. Adilson Mendes
Prof. Fábio Costa Menezes

A formação nacional esconde o genocídio colonial dos povos indígenas. Entre mão de obra, inimigos do progresso e objeto de um interesse antropológico, os índios surgem no cinema primeiro como parte do projeto de integração nacional, ao estilo de Rondon, e progressivamente como personagens de conflitos dos desdobramentos desta colonização. Por fim, a afirmação de um cinema indígena, feito pelos índios, e por seus aliados brancos, expressa a afirmação de seu protagonismo político, defesa de direitos e  e luta pela terra e autonomia.

Filmografia: Rituais e festas bororo, Entre os índios do Brasil Central, Iracema, Avaeté, Tainá, Terra vermelha, Xingu, Shomotsi, Pirinop, Bicicletas de Nhanderu, Hipermulheres, Awa Ywy Werá, Martírio.

 

Negros dramas | 18/11 e 25/11

Prof. Renato Cândido de Lima

A presença do protagonismo negro na direção de filmes no cinema brasileiro será apresentada, de início, através de investigação historiográfica sobre a filmografia de cineastas como Valdir Onofre, Odilon Lopes, Antônio Pitanga, Zózimo Bulbul e Adélia Sampaio, buscando compreender essa presença negra nos anos 70 e 80. No passo seguinte, refletiremos sobre a ausência de cineastas negros nos anos 90, mas destacando a importância e existência de realizadores e realizadoras como Lilian Santiago, Daniel Santiago e Luiz Pillar. Já no século XXI, destacamos a forte presença de realizadoras negras e negros, com ampla diversidade de linguagens, em todo Brasil.

Filmografia: Um é pouco, dois é bom (Odilon Lopes), As aventuras amorosas de um padeiro (Valdir Onofre), Na boca do mundo (Antônio Pitanga), Amor Maldito (Adélia Sampaio), Os noivos (Afrânio Vital),  Abolição e Alma no olho (Zózimo Bulbul), A negação do Brasil (Joelzito Araujo), Família Alcântara (Lilian Santiago eDaniel Santiago), Narciso RAP, O amuleto e Bróder (Jeferson De), Defina-se (Daniel Hilário), 2 meses e 23 minutos (Rogério Pixote), O dia de Jerusa (Viviane Ferreira), Deus (Vinícius Silva), Peripatético (Jéssica Queiroz), Jennifer (Renato Candido de Lima).

 

Filmar o trabalho | 26 e 27/11

Profa. Mariana Souto

As aulas abordam a presença recorrente do trabalho no cinema brasileiro, tanto ficcional como documental. Propõe uma trajetória por diferentes manifestações laborais e cinematográficas, como o trabalho do campo e as migrações para as cidades, o operariado urbano e sua organização nas grandes greves, as contradições e ambiguidades do trabalho doméstico, o universo corporativo e o contexto do capitalismo contemporâneo.

Filmografia: Viramundo, Cantos de trabalho, Chapeleiros, Eles não usam black-tie, ABC da greve, A dupla jornada, Peões, Doméstica, Arábia, Trabalhar cansa, Que horas ela volta?, Estou me guardando para quando o carnaval chegar.

 

As mulheres no cinema brasileiro | 02 e 03/12

Profa. Carolinne Mendes da Silva

Presentes desde o início de nossa cinematografia, tanto na atuação quanto na produção, as mulheres foram representadas como objeto do olhar masculino, mas também se afirmaram como sujeito ativo de suas narrativas, em uma clara expressão da luta feminista nesse campo.

Filmografia: Sinhá moça, A baronesa transviada, Os cafajestes, Porto das Caixas, Deus e o Diabo na Terra do Sol, O desafio, A falecida, O padre e a moça, A Entrevista, Terra em transe, Capitu,  A mulher de todos, A superfêmea, Os homens que eu tive, A Dama do Lotação, Amor Maldito, Que bom te ver viva, Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, Um céu de estrelas, Amélia, Que horas ela volta?, Aquarius, Café com canela, Como nossos pais, O caso do homem errado, Baronesa

 

Cidades visíveis dias | 04 e 09/12

Profa. Ana Cláudia Castro
Prof. Leandro Saraiva

A vertiginosa urbanização do Brasil, comparável apenas com a urbanização chinesa, esteve e segue presente no cinema como expressão concentrada das transformações de nossa sociabilidade e subjetividades, nas promessas e dúvidas  frente ao novo espaço modernizado, à sua crise e violência, chegando às formas contemporâneas de reinvenção e tensões centro-periferia.

Filmografia: Viramundo, São Paulo S/A, O bandido da luz vermelha, O invasor, Estorvo, Cidade de Deus, Cidade dos Homens, O som ao redor

 

O cinema e as religiosidades no Brasil – Capítulos de uma história | 10 e 11/12

Profa. Claudia Mesquita
Prof. Ewerton Belico

As aulas se estruturam em torno de dois eixos, que flagram momentos significativos da historicidade interna às expressões religiosas no Brasil, em sua relação com o cinema:

Eixo 1- Modernidade e reafricanização: A partir do conceito de reafricanização (as tentativas, pela comunidade de afro-descendentes, de retomada dos valores africanos para a  construção de tradições que possam expressar as particularidades de uma identidade negro-orientada),  discutiremos como o cinema articula as religiões afrodescendentes com a experiência negra moderna e urbana.
Eixo 2- Experiência religiosa na modernidade tardia: As construções – e paradoxos – em torno do singular e do coletivo na experiência religiosa brasileira contemporânea, e a emergência do fenômeno pentecostal no cinema brasileiro são as duas questões que perpassam esse eixo.

Filmografia: Eixo 1 – Viramundo (Geraldo Sarno), Iaô (Maureen Bisilliat), Orí (Raquel Gerber), Egungun (Carlos Brajsblat).
Eixo 2Santo Forte (Eduardo Coutinho), Santa Cruz (João Moreira Salles), Brasil S/A (Marcelo Pedroso), Terremoto Santo (Bárbara Wagner e Benjamim de Burka), Divino amor (Gabriel Mascaro).

PROFESSORES

Ismail Xavier é professor associado da Universidade de São Paulo. É autor de “Sétima arte: um culto moderno” (Sesc, 2019),  “O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência” ( Paz e Terra, 2005), “Sertão mar: Glauber Rocha e a estética da fome” (Cosac Naify, 2007), “Alegorias do subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal” (Cosac Naify, 2012), “O olhar e a cena: Hollywood, melodrama, Cinema Novo, Nelson Rodrigues” (Cosac Naify, 2003),  entre vários outros livros, capítulos e artigos.

Maurício Cardoso é professor do Departamento de História na Faculdade de Filosofia da USP, trabalha com formação de professores e estuda as relações entre narrativa audiovisual e conhecimento histórico. Publicou “Uma história dramática do cinema brasileiro” (2017) e “O cinema tricontinental de Glauber Rocha” (2017), entre outros.

Leandro Saraiva é mestre, doutor em Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Professor do Curso de Imagem e Som da UFSCAR. Roteirista de séries de TV (“Cidade dos Homens”, “9mm”) e de cinema (“Nimuendaú”, de Tânia Anaya e “A fúria”, de Ruy Guerra, ambos em produção), foi gerente de Conteúdos Colaborativos da TV Brasil. Publicou “Manual de roteiro – ou Manuel, o primo pobre dos manuais”.

Adilson Mendes é historiador com estudos sobre o cinema brasileiro. Autor de “Trajetória de Paulo Emílio” (Ateliê, 2013), é pós doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi.

Fábio Costa Menezes é montador, diretor e oficineiro junto a povos indígenas, colaborador regular do Vídeo nas Aldeias e mestrando da ECA/USP.

Renato Cândido de Lima é cineasta, mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e doutorando  pela ECA/USP, com pesquisa sobre as ações afirmativas para afro-brasileiros, dentro da política pública de financiamento audiovisual. Roteirista da  série televisiva “Pedro e Bianca”e diretor dos curtas “Dara – A primeira vez que fui ao céu” e “Simone – Estórias em estação de transferência”e do média “Jenifer”. É professor universitário e vice-Presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro.

Mariana Souto é doutora e mestre em Comunicação pela UFMG, onde pesquisou cinema brasileiro contemporâneo. Autora do livro “Infiltrados e invasores – Uma perspectiva comparada sobre relações de classe no cinema brasileiro”. Atualmente cursa pós-doutorado na ECA-USP com bolsa FAPESP. Foi professora da UFMG e da UNA, em Belo Horizonte. Curadora de mostras e festivais.

Carolinne Mendes da Silva é doutoranda em História pela Universidade de São Paulo, graduou-se em História pela mesma universidade. No mestrado, analisou as representações do negro no cinema brasileiro e no doutorado estuda a questão de gênero no Cinema Novo. Publicou “O negro no cinema brasileiro” (SP: Liberars, 2017).

Ana Cláudia Castro é arquiteta, urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e membro do Lab_Outros (Laboratório para Outros Urbanismos). É autora de “A São Paulo de Menotti del Picchia: arte, cidade e arquitetura nas crônicas de um modernista” (2008) e “Vila Itororó: Uma história em três atos” (com Sarah Feldman, 2017).