NOTA DE FALECIMENTO – LUIZ ROSEMBERG FILHO (1943-2019)

 

 

A Cinemateca Brasileira lamenta o falecimento do cineasta Luiz Rosemberg Filho (24/8/1943 – 19/5/2019).

Diretor de um cinema crítico e inventivo, Rosemberg foi responsável por grandes obras do nosso cinema, ainda que pouco vistas, como Jardim das espumas (1971), Imagens (1972), A$suntina das Amérikas (1976)  e Crônicas  de um industrial (1978), O santo e a vedete (1982).

Pouco mencionada é sua trajetória como curta-metragista, tendo realizado 34 filmes nesta metragem, como o segmento Colagem do longa em episódios América do sexo (1969), estrelado por Ítala Nandi, Echio Reis e Zé Celso; Ficção científica (1993), Biblioteca Nacional (1997), curta dirigido pelo seu grande amigo, o cineasta Andrea Tonacci, roterizado por Rosemberg e montado por Cristina Amaral; O discurso das imagens (2010), Sobre o conceito de espetáculo (2013), Linguagem (2013) e Landscape (2017). Como pode se notar pelos títulos, em seus curtas mais recentes Rosemberg reflete muito sobre a presença onipresente das imagens. Não por acaso, os filmes são marcados por inúmeras colagens, trabalho de artista plástico que o cineasta também realizava.

Inspiração para uma nova geração de realizadores, Rosemberg voltou a direção de longas através da parceria com o produtor Cavi Borges, realizando Dois casamentos (2014) e Guerra do Paraguay (2016); atuou, dirigiu e foi tema de filmes com jovens cineastas; disponibilizou alguns de seus filmes em seu canal no YouTube e tem sua obra estudada pela academia e programada em mostras e festivais.

Com dois filmes para estrear, um em circuito de festivais e o outro finalizado antes de sua internação, Rosemberg ainda nos fará defrontar com suas ideias duras e pedregosas, como traduziu o crítico Inácio Araújo da citação de Glauber Rocha.